O que é desenvolvimento social infantil

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Entenda o que é desenvolvimento social infantil e como ele impacta no aprendizado, relacionamentos e autoestima das crianças.

O desenvolvimento social infantil vai muito além de aprender a compartilhar brinquedos ou fazer amizades. Trata-se de um processo contínuo em que a criança adquire habilidades essenciais para se relacionar com outras pessoas, compreender emoções, resolver conflitos e se integrar em diferentes contextos sociais. Durante os primeiros anos de vida e ao longo do ensino fundamental, essas competências sociais se formam através de interações significativas, experiências vividas e orientação adequada de educadores e família.

Quando uma criança desenvolve bem suas habilidades sociais, ela consegue se comunicar melhor, trabalhar em equipe, lidar com frustrações e construir relacionamentos saudáveis. Esses aspectos impactam diretamente no desempenho acadêmico, na autoestima e na capacidade de aprender. Por isso, escolas que integram o desenvolvimento social ao currículo acadêmico — combinando metodologias ativas, acompanhamento personalizado e parcerias reais com as famílias — conseguem formar crianças mais seguras, autônomas e preparadas para os desafios do futuro.

Na Peak School, esse desenvolvimento é colocado no centro da proposta educacional, garantindo que cada aluno cresça não apenas academicamente, mas também como pessoa.

O que é Desenvolvimento Social Infantil: Definição e Conceitos Fundamentais

O desenvolvimento social infantil figura entre os temas mais investigados na psicologia do desenvolvimento e na pedagogia contemporânea. Compreender esse processo é essencial para pais, educadores e todos que acompanham o crescimento de uma criança, pois ele molda a maneira como o indivíduo vai se relacionar com o mundo ao longo de toda a vida.

Definição de Desenvolvimento Social na Infância

O desenvolvimento social infantil pode ser entendido como o processo pelo qual a criança aprende a interagir com outras pessoas, assimilar normas de convivência, construir relacionamentos e ocupar diferentes papéis dentro de grupos. Esse processo tem início antes mesmo do nascimento — o ambiente familiar e cultural no qual a criança será inserida já exerce influência durante a gestação —, mas se intensifica de maneira expressiva nos primeiros anos de vida.

Do ponto de vista científico, esse processo envolve a aquisição progressiva de competências que permitem à criança reconhecer o outro como um ser distinto, com pensamentos, sentimentos e intenções próprias. Isso abrange habilidades como fazer amizades, resolver conflitos, compartilhar, aguardar a vez, respeitar regras coletivas e adaptar o próprio comportamento a diferentes contextos. Lev Vygotsky foi um dos teóricos que destacaram a inseparabilidade entre desenvolvimento cognitivo e social, argumentando que a criança aprende sobretudo por meio da interação com adultos e pares mais experientes.

Na prática, esse desenvolvimento se manifesta em comportamentos observáveis: um bebê que sorri para a mãe, uma criança de dois anos que chora ao ver o amigo chorar, um aluno do ensino fundamental que negocia as regras de uma brincadeira. Cada um desses momentos representa um marco no contínuo processo de socialização.

Diferença entre Desenvolvimento Social e Emocional

Embora frequentemente mencionados em conjunto — e muitas vezes reunidos sob o termo “desenvolvimento socioemocional” — o desenvolvimento social e o emocional são dimensões distintas, ainda que profundamente interligadas.

O desenvolvimento emocional diz respeito à capacidade da criança de identificar, expressar, compreender e regular suas próprias emoções. Envolve processos internos: reconhecer que está com raiva, aprender a não agir impulsivamente diante da frustração, construir autoconfiança e autoestima. Já o desenvolvimento social está voltado para as relações externas: como a criança se comporta em grupo, como interpreta as emoções e intenções alheias, como forma vínculos e transita por ambientes coletivos.

Na prática, as duas dimensões se retroalimentam. Uma criança que não consegue regular suas próprias emoções terá mais dificuldade em manter amizades estáveis. Da mesma forma, aquela que tem poucas oportunidades de convivência pode apresentar atraso na capacidade de reconhecer e nomear o que os outros sentem. Por isso, ambas precisam ser estimuladas de forma integrada, tanto em casa quanto na escola.

Estágios do Desenvolvimento Social Infantil por Idade

O desenvolvimento social não ocorre de maneira uniforme nem linear: ele segue estágios previsíveis, mas que variam de criança para criança. Conhecer essas fases ajuda pais e educadores a identificar o que é esperado em cada momento e a oferecer os estímulos mais adequados.

Desenvolvimento Social de 0 a 2 Anos

Nos primeiros dois anos de vida, o desenvolvimento social gira principalmente em torno da relação com os cuidadores primários. O vínculo de apego — conceito sistematizado por John Bowlby — é a base sobre a qual toda a vida social futura será construída. Quando um bebê se sente seguro e amado, desenvolve confiança no mundo e nas relações, o que facilita tanto a exploração do ambiente quanto o contato com novas pessoas.

Entre os principais marcos dessa fase estão:

  • Sorriso social, que aparece por volta das 6 a 8 semanas de vida;
  • Reconhecimento do rosto dos cuidadores e preferência por eles;
  • Ansiedade de separação, que surge entre 8 e 12 meses e indica que a criança já distingue pessoas conhecidas de estranhos;
  • Imitação de gestos e expressões faciais, fundamental para o aprendizado social;
  • Atenção compartilhada, ou seja, a capacidade de direcionar o olhar junto com outra pessoa para um mesmo objeto ou evento, que emerge por volta dos 9 a 12 meses.

Nessa fase, o bebê ainda não brinca com outras crianças, mas já as observa com interesse. As interações são predominantemente diádicas, isto é, entre a criança e um adulto.

Desenvolvimento Social de 2 a 4 Anos

Entre os 2 e os 4 anos, a criança entra em uma fase marcada pela expansão do universo social. Ela passa a interagir com outras crianças de forma mais intencional, ainda que o jogo paralelo — brincar ao lado do outro, mas não necessariamente com o outro — predomine no início desse período.

É nesse momento que surgem os primeiros conflitos sociais reais: disputas por brinquedos, dificuldade em compartilhar e episódios de birra ligados à frustração. Longe de serem problemas, esses embates são oportunidades de aprendizagem. A criança começa a perceber que os outros também têm desejos e que nem sempre é possível ter tudo o que quer.

Outros marcos relevantes dessa fase incluem:

  • Início do jogo simbólico e do faz de conta, que exercita a perspectiva do outro;
  • Uso crescente da linguagem para comunicar necessidades e mediar conflitos;
  • Primeiras amizades, ainda que instáveis e baseadas sobretudo na proximidade física;
  • Desenvolvimento da noção de “eu” e “meu”, essencial para compreender, mais adiante, os limites do outro.

Desenvolvimento Social de 4 a 6 Anos

Dos 4 aos 6 anos, o desenvolvimento social dá um salto qualitativo expressivo. A criança já consegue jogar em grupo, seguir regras simples, negociar papéis em brincadeiras coletivas e demonstrar comportamentos pró-sociais como ajudar, consolar e cooperar. As amizades tornam-se mais estáveis e passam a se basear em afinidades reais, não apenas em proximidade física.

É também nessa fase que a chamada Teoria da Mente começa a se consolidar de forma mais robusta — a capacidade de compreender que outras pessoas têm crenças, desejos e intenções diferentes dos seus. Esse avanço cognitivo representa um divisor de águas no plano social, pois permite que a criança antecipe o comportamento alheio e aja com mais empatia.

A entrada na pré-escola e nos anos iniciais do ensino fundamental funciona como um catalisador poderoso para esse processo, expondo a criança a um ambiente rico em interações diversas, regras coletivas e situações que exigem negociação constante. A qualidade do ambiente escolar tem impacto direto sobre a velocidade e a profundidade desse processo, o que reforça a importância de escolher instituições comprometidas com o desenvolvimento integral da criança.

Teoria da Mente e Desenvolvimento Social Infantil

A Teoria da Mente é um dos conceitos mais relevantes para entender o desenvolvimento social infantil. O termo foi cunhado pelos pesquisadores David Premack e Guy Woodruff em 1978 e se refere à capacidade de atribuir estados mentais — como crenças, desejos, intenções e emoções — a si mesmo e aos outros, reconhecendo que esses estados podem diferir dos próprios.

Como a Teoria da Mente Influencia as Habilidades Sociais

A Teoria da Mente começa a se esboçar nos primeiros anos de vida, mas atinge um marco fundamental por volta dos 4 anos, quando a maioria das crianças passa no chamado “teste da falsa crença”. Nesse experimento clássico, a criança demonstra compreender que outra pessoa pode ter uma crença equivocada sobre o mundo — ou seja, pode acreditar em algo que não é verdadeiro — e que essa crença influenciará o comportamento dela.

Essa conquista cognitiva tem implicações profundas para a vida em sociedade. Uma criança que desenvolve bem a Teoria da Mente torna-se capaz de:

  • Compreender por que um colega ficou triste com uma situação que, para ela, pareceria indiferente;
  • Antecipar como uma ação sua pode afetar outra pessoa;
  • Engajar-se em jogos cooperativos que exigem leitura das intenções dos outros participantes;
  • Resolver conflitos com mais eficiência, considerando o ponto de vista alheio;
  • Adotar comportamentos pró-sociais como confortar, ajudar e compartilhar de forma genuína.

Crianças com dificuldades nessa área — como ocorre em alguns casos de Transtorno do Espectro Autista — frequentemente enfrentam desafios significativos nas interações sociais, não por falta de vontade de se relacionar, mas pela dificuldade em “ler” as intenções e emoções dos outros. Isso evidencia o quanto essa capacidade é central para a convivência.

O ambiente escolar desempenha papel fundamental no fortalecimento da Teoria da Mente. Atividades como teatro, contação de histórias, jogos de faz de conta e discussões em grupo são ferramentas pedagógicas que exercitam diretamente essa habilidade, colocando a criança em situações onde precisa imaginar perspectivas diferentes da sua.

Habilidades Sociais Essenciais no Desenvolvimento Infantil

O desenvolvimento social infantil se concretiza por meio da aquisição gradual de um conjunto específico de habilidades. Essas competências não são inatas — precisam ser aprendidas, praticadas e refinadas ao longo do tempo, com o suporte de adultos e de um ambiente favorável.

Empatia e Reconhecimento de Emoções

A empatia é frequentemente apontada como a habilidade social mais fundamental. Ela envolve reconhecer e compreender os sentimentos do outro e responder a eles de forma adequada. Diferente da simpatia — que é sentir algo pelo outro —, a empatia exige que a criança se coloque no lugar de quem está ao seu lado, imaginando como essa pessoa se sente.

Esse processo começa muito cedo. Bebês de poucos meses já demonstram contágio emocional, chorando ao ouvir outro bebê chorar. Aos 2 anos, muitas crianças já tentam consolar um colega triste, oferecendo um brinquedo ou um abraço. Aos 4 e 5 anos, a empatia cognitiva — que envolve compreender o estado emocional alheio de forma mais elaborada, sem necessariamente compartilhá-lo — começa a se estruturar.

Para cultivar essa habilidade, é essencial que adultos nomeiem emoções com frequência, tanto as próprias quanto as da criança e das pessoas ao redor. Perguntas como “Você acha que o seu amigo ficou triste quando isso aconteceu? Como você se sentiria no lugar dele?” funcionam como poderosas ferramentas de desenvolvimento.

Comunicação e Linguagem Social

A linguagem é o principal instrumento das relações humanas. Mais do que falar corretamente, a comunicação social envolve adaptar o discurso ao contexto e ao interlocutor, interpretar pistas não verbais como tom de voz, expressões faciais e linguagem corporal, e usar a fala para construir e sustentar vínculos.

A chamada pragmática da linguagem — o uso social da comunicação — vai muito além do vocabulário ou da gramática. Uma criança pode ter um repertório verbal amplo e ainda assim ter dificuldades para iniciar uma conversa, manter um tema ou perceber quando está sendo invasiva demais. Essas habilidades pragmáticas se desenvolvem principalmente por meio da prática em ambientes sociais ricos e variados.

Atividades como teatro, debates em sala de aula, projetos em grupo e jogos de tabuleiro contribuem de forma expressiva para esse aspecto, pois exigem que a criança ouça, responda, negocie e se expresse em contextos com regras e expectativas sociais bem definidas.

Cooperação e Trabalho em Grupo

A capacidade de cooperar — trabalhar com outros em direção a um objetivo comum, ceder quando necessário, dividir tarefas e reconhecer a contribuição alheia — é uma das habilidades mais valorizadas tanto no ambiente escolar quanto na vida adulta.

Essa competência começa a emergir de forma mais consistente por volta dos 3 a 4 anos, quando a criança já consegue sustentar um jogo conjunto por períodos mais longos. Mas é nos anos do ensino fundamental que ela se consolida de verdade, quando projetos em grupo, esportes coletivos e atividades colaborativas passam a integrar a rotina escolar com regularidade.

Aprender a cooperar também significa aprender a lidar com a frustração de não ter suas ideias sempre escolhidas, a celebrar conquistas coletivas e a perceber que resultados obtidos em conjunto frequentemente superam o que se alcança individualmente. São lições que moldam o caráter e a forma como a criança vai se posicionar em todos os grupos dos quais fará parte ao longo da vida.

Como Estimular o Desenvolvimento Social da Criança

O desenvolvimento social não acontece de forma espontânea e isolada. Ele depende de estímulos consistentes, de um ambiente seguro para experimentar e errar, e de adultos que sirvam como modelos e mediadores das interações. Tanto a família quanto a escola têm papéis insubstituíveis nesse percurso.

Estratégias de Incentivo em Casa

O lar é o primeiro laboratório social da criança. É ali que ela aprende as regras básicas de convivência, experimenta seus primeiros conflitos e recebe as referências iniciais sobre como se relacionar com o mundo. Algumas estratégias que os pais podem adotar com bons resultados incluem:

  • Modelar comportamentos sociais positivos: crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pela instrução verbal. Demonstrar empatia, resolver conflitos pelo diálogo e expressar emoções de forma saudável são ensinamentos que deixam marcas duradouras;
  • Criar oportunidades de convivência: organizar encontros com outras crianças, incentivar atividades em grupo e reduzir o tempo de telas solitárias são formas de garantir prática social regular;
  • Nomear e validar emoções: quando a criança está frustrada ou triste, em vez de tentar eliminar rapidamente o sentimento, nomear o que ela está vivenciando e ajudá-la a encontrar formas de lidar com isso fortalece tanto a inteligência emocional quanto as habilidades relacionais;
  • Ler histórias e discuti-las: livros infantis são recursos valiosos para explorar perspectivas diferentes, refletir sobre dilemas morais e exercitar a empatia de forma lúdica;
  • Estabelecer rotinas e limites claros: crianças que crescem em ambientes previsíveis e com regras bem definidas tendem a ter mais facilidade em respeitar normas sociais fora de casa.

Papel da Educação Infantil e Inclusão Social

A escola vai muito além do aprendizado acadêmico. Para o desenvolvimento social infantil, o ambiente escolar é um dos contextos mais ricos e insubstituíveis disponíveis. É lá que a criança convive com pares de idades semelhantes, enfrenta situações de conflito sem a mediação imediata dos pais, aprende a lidar com diferentes personalidades e constrói sua identidade social.

A inclusão no ambiente escolar — a convivência com crianças de diferentes origens, habilidades e características — é especialmente poderosa. Ela amplia o repertório relacional da criança, cultiva tolerância à diversidade e prepara para um mundo plural. Um ambiente de aprendizagem bem estruturado considera não apenas os aspectos físicos do espaço, mas também as dinâmicas relacionais que ele promove.

Escolas que adotam metodologias ativas, projetos interdisciplinares e atividades colaborativas criam naturalmente mais oportunidades de crescimento social do que aquelas centradas exclusivamente na transmissão de conteúdo. Ao participar de um projeto em grupo, a criança aprende a negociar, a dividir responsabilidades e a valorizar contribuições diversas — tudo isso são habilidades sociais sendo exercitadas em contexto real.

Atividades Práticas para Desenvolver Habilidades Sociais

Além do cotidiano escolar e familiar, algumas atividades são especialmente eficazes para estimular o desenvolvimento social infantil:

  • Teatro e dramatização: assumir o papel de outro personagem é um exercício direto de perspectiva e empatia, além de fortalecer a comunicação verbal e não verbal;
  • Esportes coletivos: futebol, basquete, vôlei e outras modalidades ensinam cooperação, respeito às regras, gestão de vitórias e derrotas e trabalho em equipe;
  • Jogos de tabuleiro e cartas: exigem que a criança aguarde sua vez, siga regras, tolere a frustração de perder e reconheça o sucesso do outro;
  • Atividades de voluntariado adaptadas à idade: participar de ações solidárias desenvolve empatia e senso de responsabilidade coletiva;
  • Robótica e projetos tecnológicos em grupo: atividades como o uso de tecnologia em contextos educacionais colaborativos estimulam tanto o raciocínio lógico quanto a capacidade de trabalhar em equipe;
  • Dança: além de desenvolver expressão corporal, atividades de dança em grupo exigem sincronização, atenção ao outro e comunicação não verbal.

Desenvolvimento Cognitivo e Social: Conexão e Importância

Por muito tempo, desenvolvimento cognitivo e desenvolvimento social foram estudados separadamente, como se fossem processos independentes. Hoje, neurociência e psicologia do desenvolvimento são categóricas: as duas dimensões são profundamente interdependentes e se influenciam ao longo de toda a infância.

Vygotsky foi um dos primeiros teóricos a sistematizar essa relação, ao propor que o desenvolvimento cognitivo ocorre principalmente por meio da interação social. Para ele, a criança aprende primeiro em um plano coletivo — com o apoio de um adulto ou colega mais experiente — e só depois internaliza esse aprendizado de forma individual. Esse conceito, conhecido como Zona de Desenvolvimento Proximal, tem implicações enormes para a prática pedagógica.

Na prática, isso significa que uma criança com bom desenvolvimento social tende a ter melhor desempenho acadêmico, pois consegue aprender com os colegas, pedir ajuda quando necessário, colaborar de forma produtiva e se engajar mais ativamente nas atividades propostas. Da mesma forma, crianças com maior desenvolvimento cognitivo tendem a ter mais facilidade em compreender situações sociais complexas, resolver conflitos de forma criativa e antecipar as consequências de seus comportamentos.

Habilidades executivas como atenção, memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibitório têm impacto direto sobre as competências relacionais. Uma criança com bom controle inibitório consegue aguardar sua vez em uma conversa. Uma criança com boa flexibilidade cognitiva adapta seu comportamento a diferentes contextos sociais com mais naturalidade. Por isso, um ambiente de aprendizagem positivo precisa estimular funções cognitivas e habilidades socioemocionais de forma integrada.

Essa visão integrada é o que diferencia uma educação verdadeiramente completa de uma abordagem fragmentada. Escolas que investem em projetos interdisciplinares, atividades artísticas, esportes, tecnologia e metodologias ativas criam condições para que crescimento cognitivo e social aconteçam juntos, potencializando resultados em ambas as dimensões.

Sinais de Alerta no Desenvolvimento Social Infantil

Embora cada criança tenha seu próprio ritmo, alguns sinais podem indicar que o desenvolvimento social não está avançando conforme o esperado e merecem atenção de pais e educadores. Identificá-los precocemente é fundamental, pois intervenções realizadas nos primeiros anos de vida têm eficácia muito maior do que aquelas iniciadas tardiamente.

Alguns indicadores que podem sugerir dificuldades nessa área incluem:

  • Ausência de sorriso social após os 2 meses de vida;
  • Falta de interesse em outras crianças após os 2 anos de idade;
  • Dificuldade persistente em fazer e manter amizades após os 4 anos;
  • Incapacidade de participar de jogos simples com regras após os 5 anos;
  • Agressividade frequente e desproporcional em situações de conflito;
  • Isolamento persistente e recusa em participar de atividades coletivas;
  • Dificuldade significativa em reconhecer emoções em expressões faciais;
  • Ausência de linguagem funcional para comunicação social após os 2 anos;
  • Comportamentos repetitivos que interferem nas interações com outras pessoas.

É importante ressaltar que a presença isolada de um desses sinais não indica necessariamente um problema. Crianças mais introvertidas, por exemplo, podem ter menos interesse em interações sociais sem que isso represente um atraso. O contexto, a frequência e a intensidade dos comportamentos são elementos que precisam ser considerados em qualquer avaliação.

Quando Procurar Ajuda Profissional

Diante de sinais persistentes ou de preocupações que não se resolvem com o tempo e com estímulos adequados, a orientação de profissionais especializados torna-se indispensável. Pediatras, psicólogos infantis, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais são profissionais habilitados para avaliar o desenvolvimento social da criança de forma abrangente e indicar as intervenções mais adequadas.

Buscar ajuda especializada deve ser encarado não como sinal de fracasso, mas como um ato de cuidado. Quanto mais cedo uma dificuldade é identificada e trabalhada, maiores as chances de que a criança desenvolva as competências necessárias para uma vida plena. Intervenções precoces em casos de Transtorno do Espectro Autista, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), ansiedade social e outros quadros que afetam a socialização apresentam resultados significativamente melhores quando iniciadas antes dos 6 anos de idade.

Além do acompanhamento especializado, a escola tem papel crucial nesse processo. Educadores atentos ao comportamento social dos alunos no dia a dia frequentemente são os primeiros a notar sinais de alerta e a comunicar aos pais a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Por isso, a parceria entre família e escola é tão determinante quanto qualquer intervenção terapêutica isolada.

Perguntas Frequentes sobre Desenvolvimento Social Infantil

Em que idade a criança começa a desenvolver habilidades sociais?

O desenvolvimento de habilidades sociais tem início desde o nascimento. O primeiro sorriso social, que surge por volta de 6 a 8 semanas de vida, já é uma expressão dessa capacidade. A atenção compartilhada, que emerge entre 9 e 12 meses, e o jogo paralelo, que aparece por volta dos 2 anos, são outros marcos precoces. Não existe, portanto, uma idade de “início” — trata-se de um processo contínuo que começa na primeira infância e se estende por toda a vida, com fases de aceleração expressiva nos primeiros seis anos.

Qual é a importância da inclusão na educação infantil para o desenvolvimento social?

A inclusão na educação infantil é fundamental para o desenvolvimento social de todas as crianças, não apenas daquelas com necessidades específicas. Conviver com colegas de diferentes origens, habilidades e perspectivas amplia o repertório relacional da criança, fortalece a tolerância, a empatia e o respeito à diversidade. Crianças que crescem em ambientes inclusivos tendem a se adaptar com mais facilidade a contextos sociais variados ao longo da vida e demonstram maior capacidade de colaboração e resolução criativa de conflitos.

Como os pais podem ajudar no desenvolvimento social do filho?

Os pais podem contribuir de diversas formas: demonstrando comportamentos sociais positivos no cotidiano, criando oportunidades regulares de convivência com outras crianças, nomeando e validando as emoções da criança, explorando os sentimentos dos personagens em histórias lidas juntos, estabelecendo regras claras e consistentes em casa e incentivando atividades coletivas como esportes, teatro e jogos em grupo. Tão importante quanto as ações concretas é o ambiente emocional que os pais constroem: uma relação de apego seguro é a base sobre a qual toda a vida social da criança se desenvolve.

Qual a diferença entre desenvolvimento social e desenvolvimento emocional?

O desenvolvimento emocional refere-se à capacidade da criança de identificar, expressar, compreender e regular suas próprias emoções — trata-se de um processo predominantemente interno. O desenvolvimento social, por sua vez, diz respeito à forma como a criança se relaciona com outras pessoas, constrói vínculos, interpreta emoções e intenções alheias e transita por contextos coletivos — um processo predominantemente externo e relacional. Embora distintos, os dois se influenciam mutuamente: uma criança com boa regulação emocional tende a cultivar relações mais saudáveis, e uma criança com boas habilidades relacionais tende a desenvolver maior inteligência emocional.

Quais são os principais marcos do desenvolvimento social infantil?

Os principais marcos do desenvolvimento social infantil incluem: o sorriso social (6 a 8 semanas), a atenção compartilhada (9 a 12 meses), a ansiedade de separação (8 a 12 meses), o jogo paralelo (por volta dos 2 anos), o jogo simbólico e o faz de conta (2 a 3 anos), as primeiras amizades estáveis (3 a 4 anos), a consolidação da Teoria da Mente (por volta dos 4 anos), a capacidade de jogar em grupo seguindo regras (4 a 5 anos) e comportamentos pró-sociais consistentes como cooperação, empatia e resolução de conflitos pelo diálogo (a partir dos 5 a 6 anos). Cada um desses marcos representa um avanço qualitativo na capacidade da criança de se relacionar com o mundo ao seu redor.